Area 127+ / Colour in design

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A cor, ou seja aquilo que une – e torna visível – a distância entre o calor e o cheiro.

Qualquer ato criativo, projeto, disciplina artística ou simplesmente qualquer resultado das atividades humanas provoca sensações ou sentimentos que interferem com os nossos sentidos, solecitando-os a esquivar-se da indiferença. Entre estes, os estímulos induzidos pela cor e percebidos através da visão não são menos importantes ou incisivos respeito ao tato transmitido pela materialidade dos corpos, pela possibilidade de estabelecer com estes um contato sensível e mutável segundo as suas temperaturas; assim como resulta decisiva na vida de relação, entre nós e os outros e entre nós e as coisas que nos rodeiam, a oportunidade de reconhecê-las – basta pensar na comida – através das nossas capacidades olfativas e por isso pelo cheiro que elas emanam. Na verdade, desde sempre é reservada à cor um papel secundário, acessório, cênico, que se transfere e se percebe também no uso comum da linguagem, onde o “toque de cor” significa um fato ou uma ocorrência não importante que pouco acrescenta ao sentido das coisas, se não nuances, acentos, fofocas.
Obviamente, tudo isso não tem correspondência com a realidade, com a vida cotidiana, com a enorme influência que a cor tem na nossa psique e, portanto, no nosso comportamento – basta pensar na diferença de humor que é capaz de gerar a visão de um céu cinza respeito ao azul brilhante do horizonte. Com certeza tal superficialidade em relação à cor é devida à herança reservada às questões, aos problemas, às disciplinas, com as quais temos pouca experiência e um baixo nível de conhecimento.
Na verdade, a cor é uma conquista relativamente recente, um resultado que permeou a contemporaneidade apenas alguns anos atrás: a fotografia era em preto e branco, aquela de autor, às vezes, recusa ainda hoje parte de uma expressividade misteriosamente velada, a televisão começou a transmitir em cores somente a partir dos anos oitenta, por isso não é de se estranhar tal ingenuidade, ou melhor, o atraso ao tratar do assunto. Também deve ser salientado, especialmente a nível cultural, a idéia de que a pureza coincide com a ausência de cor, isto é, com o branco, enquanto  cores definidas fortes são símbolo de extravagância e excentricidade; vice-versa a sobriedade é cinza enquanto mediocridade que não toma posição, assim como o preto, que é a acumulação e sobreposição de todas as cores, é até fúnebre, símbolo de tristeza e de luto.
Felizmente a natureza engana tais clichês, torna-os pequenos e ridículos como as fraquezas humanas e, portanto a cor, através de uma sensibilidade generalizada e renovada em relação ao meio ambiente, parece encontrar uma temporada de nova vitalidade que se reflete nas cores das terras, dos óxidos, nos meios-tons e nos tons pastéis, não será uma total liberdade da censura, mas pelo menos é um sinal de mudança de opinião.

Marco Casamonti

 

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