Area 128 / Informal community

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Comunidades informais

Se no primeiro espaço do Arsenal realizado por Sir Norman Foster para a última edição da Bienal de Veneza, intitulada “Common ground”, se destacavam imagens de favelas, comunidades informais e espontâneas, lugares no entanto urbanos de pobreza e miséria, significa que o fenômeno se tornou tão grande e importante que até mesmo o mais sofisticado dos arquitetos, ainda envolvido na construção tecnológica das sedes bancárias, opulentos edifícios e aeroportos, sentiu uma mudança climática que impulsiona a cultura arquitetônica a mudar a própria visão sobre o existente. De fato tratando-se de uma exceção resultante do tema da exposição, a questão das comunidades, de um habitar subtraído às regras do mercado e auto-regulado pelas necessidades de sobrevivência, ocupando um espaço quantitativamente muito considerável em algumas áreas do planeta, da América à Africa, das Índias a China até afetar uma grande parte do Sudeste da Ásia.
Da presença destas áreas cinzentas anti-urbanas não são excluídos nem mesmo os ricos dos Estados Unidos da América, uma vez que é facilmente detectável ultrapassando o neon cintilante de Las Vegas e entrando nos subúrbios vizinhos, onde entre os traillers, acampamentos e casas pré-fabricadas ou improvisadas, ​​vivem os trabalhadores (garçons, cozinheiros, porteiros) da cidade da fraude e do dinheiro.
Em qualquer caso, é óbvio que a questão explode nessas megalópoles, como Cidade do México, Caracas, São Paulo ou Rio de Janeiro, onde o tamanho das comunidades espontâneas resulta maior, por extensão superficial e habitantes, em comparação com a cidade formal ou legal circundante em que o conceito ocidental de gueto se inverte totalmente, transformando as mesmas em comunidades restritas e fechadas, separadas da burguesia e das faixas sociais mais ricas que procuram isolar-se e fechar-se em relação ao resto da cidade.
Incrível o caso de Hong Kong, onde, por falta de espaço, as superfícies restantes ocupadas e sem conforto pelos habitantes, são os telhados dos arranha-céus onde vivem as comunidades marginalizadas que não têm a possibilidade de acesso ao mercado normal da habitação.
Então, se o problema é global a sua solução, ou a tentativa de superar a condição inabitável em que residem ​​bilhões de pessoas, não pode ser baseada em uma estratégia unitária, desconsiderando as condições climáticas, político sociais e dimensionais do fenômeno.
Quando o fenômeno é tão extenso a ponto de ser insolúvel, não existem estratégias voltadas para o impacto da demolição e reconstrução – o que inevitavelmente também significa deportação -, mas é preciso investigação e soluções que irão melhorar as estruturas urbanas que essas comunidades espontâneas têm sido capazes de gerar.

Marco Casamonti

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