Area125 / Cino Zucchi

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Cino Zucchi do MIT ao Politécnico e retorno

Propor uma leitura critica de um arquiteto e de um trabalho que está tão perto, seja no plano pessoal que no profissional, pode acarretar o risco de uma visão não objetiva, embaçada pela falta de foco, que geralmente requer uma certa distância. No entanto o conhecimento direto das obras, do estudo, dos equipamentos e dos percursos biográficos e bibliográficos, não poderia não resultar positivo para uma pesquisa aonde mais do que palavras contam de fato, respeito às conjunturas, aos edifícios, além dos desenhos, das pedras e da matéria da construída. Na verdade a produção de Cino Zucchi atingiu um nível de maturidade e completude encontrada na diversidade dos seus temas e das ocasiões que movem desde a residência simples aos edifícios coletivos, desde as praças ao prédio para escritórios, desde a igreja ao museu, mostrando uma capacidade de leitura dos temas e contextos que tem consolidado a sua ação e o seu pensamento, propondo-o seja a nível italiano como internacional, como uma das figuras mais completas e convincentes do panorama arquitetônico europeu.
Ao meu ver, o aspecto mais interessante do seu trabalho, ainda não destacado pelo crítica, é a sua pesquisada “ortodoxia da heterodoxia” no senso de uma proposta coerente mas livre da esquemas lingüísticos, reconhecida mas desprovida de obsessões caligráficas, mesmo tendo estas, um peso e um valor dentro do seu trabalho. Com uma atitude não freqüente para a arquitetura italiana, talvez fruto das joviais influências americanas, o trabalho de Cino se move sem dogmas, livre, eclético no senso mais contemporâneo de uma comprovada flexibilidade que se move desde Gabetti a Isola e Steven Holl. Naturalmente isto coloca em dificuldade aqueles que o queriam transformar no ápice de renovada tendência, que viam na sua Casa de Veneza a Giudecca uma experiência íntima ligada a leitura de fatos urbanos, limitada ao interior do estreito cerco do centro histórico, como se a cidade não fosse uma  multiplicidade de eventos estratificados no tempo e no espaço que exigem o mesmo cuidado e dignidade para todas as partes, antiga o recente.
Dignidade, que a sua experiência na projetação de partes da cidade e masterplans urbanos, busca como medida de uma cidade consciente e habitável, nova ao mesmo tempo conhecida, aonde o pórtico e a varanda não exprimem nem o senso de inútil de nostalgia, nem elementos de uma tradição a serem apagados a qualquer custo, mantidos nos desenhos de Zucchi, mostrando que ainda existe o prazer de olhar pela janela e andar pelas lojas, sem tomar chuva.
Se trata de um “realismo contemporâneo” que não é simplesmente situacionista ou atraído pelo “caso a caso” como uma atitude nos confrontos do projeto absolutamente experimental no senso do cumprimento de uma experiência que é o resultado de um diálogo necessário entre o pensamento e a ação, a realidade e a imaginação, ou na forma Rogers (e eu sei que isso vai ser apreciado por Cino às suas mais próximos referências) memória e invenção.

Marco Casamonti

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Download “Sentimental education, a dialogue among Marco Casamonti, Pier Paolo Tamburelli and Cino Zucchi. Milan 2012”